O empenho do Rotary para a criação da APAE

Uma das principais contribuições do Rotary Club de Marechal Cândido Rondon à sociedade local nestes 50 anos de existência foi, sem sombra de dúvida, a criação da APAE. Além do envolvimento direto na sua fundação, ao longo de todos os anos o Rotary e a Associação de Senhoras de Rotarianos fazem constantes doações de recursos para auxiliar na manutenção das atividades da escola especializada.

Primeiras instalações da APAE, numa casa que ficava defronte a sede da Polícia Militar.

Os primeiros passos

Nos anos 1973 e 1974 surgiu um movimento em prol da criação de novas APAES no Paraná. Até então pouco se conhecia sobre essa necessidade e sobre a existência do número de crianças especiais que careciam de um atendimento especializado. Poucas eram as APAES existentes e quase sempre criadas ou apoiadas pelo Rotary e pela Associação de Senhoras de Rotarianos como parceiros ou mantenedores das mesmas.

Na gestão 1973-1974 o então presidente do Rotary Clube Marechal Cândido Rondon, Romeu Saatkamp e o secretário Sergio Moy, motivados pela causa, foram buscar informações em outros Rotary Clubs onde já havia APAES funcionando. Na oportunidade visitaram algumas em Ponta Grossa, Guarapuava e Cascavel com o objetivo de buscar subsídios para fundar uma entidade similar em Marechal Cândido Rondon e criar uma Escola Especializada, já que havia várias crianças que se encontravam sem atendimento.

Um trabalho conjunto entre o Rotary e a Associação de Senhoras de Rotarianos, presidida na época por Venilda Saatkamp, para a criação da APAE. Apesar dos esforços, o movimento não vingou consequentemente a ideia ficou inativa.

Em 1975-1976, quando o Rotary Marechal era presidido por Ilmar Priesnitz o tema foi retomado. Na oportunidade, Romeu Saatkamp recebeu um telefonema do Rotariano Emilio Mudrey,presidente da APAE de Cascavel e representante da vice-presidência da Federação Nacional das APAES no Paraná, pedindo para marcar uma reunião com o Rotary Club e a Associação de Senhoras de Rotarianos. Esta reunião aconteceu na Churrascaria Soledade.

Nesta oportunidade Emilio Mudrey fez uma ampla explanação sobre a necessidade, a importância e o valor de uma APAE. O presidente da APAE de Cascavel falando como representante da vice-presidência da Federação Nacional das APAES do Paraná, transmitiu o interesse que a Federação tinha em fomentar e criar novas APAES. Além de integrantes do Rotary e da Associação de Senhoras de Rotarianos estiveram presentes os convidados do prefeito Almiro Bauermann e Arnold Lamb, que era secretário Administrativo da prefeitura. O encontro sensibilizou os presentes sobre a necessidade de criação da APAE no município.

Fundação

No dia 3 de setembro de 1975,no Auditório do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, foi realizada a Assembleia para a Fundação da APAE. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente do Rotary, Ilmar Priesnitz, e contaram com a presença de várias autoridades, entre elas o prefeito Almiro Bauermann.

Por aclamação foi eleita a primeira diretoria da APAE para o biênio 1975/77, que ficou constituída da seguinte forma:

Presidente – Romeu Saatkamp
Primeira vice-presidente – Marise Goebel
Segundo vice-presidente – Cornelio Rossato
Primeiro secretário – Edegar Netzel
Segundo secretário – Hugo Messias
Primeiro tesoureiro – Norberto Neumeister
Segundo tesoureiro – Ivanor Brum de Brum
Conselho Fiscal – Carlos Valiente, Italo Fernando Fumagali e Luiz Valiente
Conselho Deliberativo – Cândido Poersch, Nori Pooter, Plinio Klemann, Helio Sakuraki, Arno Richter, Edvino Backes, Renato Marquesan
Orador – Ilmar Priesnitz
Divulgação e Imprensa – Carlos Goebel, Dirceu da Cruz Viana, Jornal Fronteira do Iguaçu, Jornal Comunicação de Rondon, Radio Difusora.

Escola Especializada

No dia 6 de março de 1976 foi a inauguração da Escola Especializada Pequeno Lar e o atendimento de crianças com necessidades especiais do município iniciou dois dias depois, em 8 de março do mesmo ano. O decreto nº3758/77, atendendo às exigências da deliberação nº 24/75 do Conselho Estadual de Educação criou efetivamente a escola.

Na época a escola passou a funcionar em uma casa alugada na rua D João VI, nº 1459, que foi adaptada e era de propriedade do Guido Mülling, localizada em frente da Companhia da Polícia Militar.

O início das atividades

Para o início dos trabalhos a Prefeitura Municipal cedeu 4 professoras: Cecília Joner, Marli Selma Kant Grossmann, Marlene Von Rondon Pagnussat e Romilda Hedi Siebenheichler. Elas fizeram um curso de especialização de três meses em Cascavel.Com o apoio do prefeito Almiro Bauermann e secretário de Educação Ilmar Priesnitz, foi alugada uma casa em Cascavel onde as professoras ficaram durante o curso.

Dificuldades

A escola começou com 16 alunos apresentando as mais diferentes dificuldades, desde leves até graves. Os professores enfrentaram muitos problemas, pela falta de adaptação de alguns alunos os quais exigiam esforços redobrados. Aliás, eram muitas as dificuldades em todos os setores, pois faltava praticamente tudo como: espaço físico adequado, materiais didáticos, aparelhos de fisioterapia, jogos, cadeiras e mesas especiais e tantos outros. Mas, o que nunca faltou foi o empenho do presidente da APAE e os demais integrantes da diretoria, da direção, professoras, médicos, fisioterapeutas, psicólogos , fonoaudióloga e funcionários que tiveram a difícil tarefa de estruturar e fazer funcionar a escola, oferecendo segurança e qualidade.

Romeu Saatkamp foi o primeiro presidente da APAE e exerceu o cargo nos 4 anos iniciais. Uma das grandes dificuldades a ser resolvida era o espaço físico. Foi quando ele levou para a Assembleia a ideia da necessidade de construir esse espaço.

Novas instalações

Com a construção do novo Colégio Eron Domingues, o Governo do Estado repassou as antigas instalações do colégio para a APAE, no endereço onde ela funciona até hoje.

Naquela época estavam sendo concluídas as novas instalações do Colégio Estadual Eron Domingues. Diante da desocupação do prédio do Eron Domingues (onde hoje é a escola da APAE), foi solicitado ao Governo do Estado a cedência desse espaço para a APAE.

Após muitos esforços do presidente Romeu Saatkamp, com o apoio da diretoria e das autoridades municipais houve o contato com o Governador Jaime Canet Jr, que declarou seu apoio e pronto atendimento ao pleito, cedendo em 1978 as instalações do antigo Colégio Estadual Marechal Cândido Rondon (Eron Domingues) da Fundepar, para a APAE.

Concluídos os trâmites legais, em meados de 1979 a escola passou a funcionar nas novas dependências, que ocupa até hoje, na Rua Sergipe, 391.

Expansão

Endereço onde até hoje funciona a escola da APAE, à Rua Sergipe.

Em 1990 a escola da APAE já contava com 45 alunos, o que motivou a ampliação do espaço físico com a construção da secretaria, salas de atendimento individualizado de alunos e pais e mais salas de aula. Concluídas as obras o número de alunos sobiu para 80.

Em 1996 o Clube da Justiça, através de Noroaldo Boska e do juiz Clairton Spinassi foi feita a doação de um terreno no Anel Viário de 10.000m². Neste espaço abriga atualmente uma marcenaria profissionalizante, padaria, cozinha, refeitório, banheiros e salas.

Área no Anel Viário onde funciona a marcenaria da APAE.

Atualmente a escola atende a mais de uma centena de alunos e é referência estadual.

Histórico levantado através de pesquisa da professora aposentada Venilda Saatkamp, uma das fundadoras da APAE de Marechal Cândido Rondon.

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